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Um Gentleman

É bem verdade que não me agrada escrever de política por certo tempo, mas depois de ler a matéria da Revista Alfa deste mês sobre FHC cuja capa é dele, não poderia me calar. Muito se diz, e eu sou grande defensor desta tese, que ele é o estadista do novo Brasil. Pois bem, vejo que o é não apenas pelos seus grandes atos durante a presidência, mas principalmente pelo que é hoje: um exemplo de político. Por mais que todos e principalmente ele diga que não mais é político, mas apenas um professor ou aposentado, é intrigante como hoje, acima de qualquer tempo, ele se posiciona como um grande político, que defende ideais, não se baseia em estatísticas ou marketing, apenas apresenta a si mesmo, de maneira tranqüila e sincera de modo a mostrar para as pessoas que tem competência e vontade de representá-las, mas explicitando seus pensamentos livremente.

Vejo em FHC algumas das características que vejo como indispensáveis ao exercício da política, e ressalto a coragem, o homem público deve sempre tomar a frente, assumir seus erros e combatê-los, deve ter a coragem de falar verdades inconvenientes aos ouvintes e principalmente a si mesmo.
Assim se faz política, com tranqüilidade, estratégia e coragem. Ao levantar a bandeira da regulamentação das drogas, por exemplo, FHC saiu à frente levando o debate para o seio das famílias, é de fato um medida impopular eleitoralmente falando, mas não é fato que hoje sua popularidade está maior do que nunca? As pessoas precisam de informação, e um ponto de vista confiável e sincero lhes traz satisfação. Os políticos precisam disto, lembrar que o PSDB é vanguarda, e portanto, deve sair à frente erguer a bandeira do debate sobre as drogas que já está na sociedade civil, debater internamente o casamento homossexual e apresentar nossa visão à sociedade.

Devemos continuar modernizando o país, mesmo seno oposição, e em menor numero, qualitativamente vencemos. FHC nos ensina a ser oposição sem histeria, oposição madura e elegante. O mestre tem muito a nos ensinar e espero que cada vez, todos sigam seus passos.

 

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A Importância do Parlamento Jovem

Nas andanças que faço e nas redes que convivo, tenho percebido por parte de todos um grande apoio e confiança em minha participação no VIII Parlamento Jovem Brasileiro. Meus companheiros de partido têm sido extremamente solícitos, assim como alguns amigos da imprensa e mesmo moradores de meu bairro. A conquista, hoje eu vejo que não apenas é minha, mas sim do grupo, do grupo comunitário, do grupo de juventude, do grupo tucano do grupo inclusive suprapartidário de amigos crentes e defensores de um Brasil mais forte e rico em cultura, educação e política.

Vejo no PJ a oportunidade, e desta não abrirei mão, de não apenas me firmar como liderança jovem, mas principalmente incentivar os outros participantes a seguirem na luta política, seja no partido que for ou mesmo fora de partidos.

O PJB é simples, mas muito inteligente e indispensável  para a formação de novas lideranças jovens, que devem se aliar a políticos locais, e lutar, para mesmo que em âmbito municipal fazem seus projetos realidade. E ainda, seguir o exemplo do deputado federal jovem Vinicius Caruso (7ª edição) e dar palestras em escolas sobre a importância do protagonismo jovem na política.

O jovem é protagonista de todas as grandes manifestações e mudanças de nossa sociedade, como agora o fazem no Chile, num grito desesperado por educação. Este processo ocorre no Chile, pois é este o pais mais politizado da America Latina o que nos explica e nos faz apoiar os manifestantes, que estão conscientes de seus direitos e não dispensam exercê-los. Outros setores da sociedade poderiam e devem se revoltar, mas apenas no jovem existe a garra capaz de forçar um impeachment como houve no Brasil, e isto só é possível pois houve lideres jovens que incitarem as multidões.

Há nisto certo sistema de pirâmide, mas este muito saudável, a liderança jovem incita a multidão, que ao longo do processo e mesmo do cotidiano revela ter outras lideranças jovens no corpo desta massa que trarão ainda mais massa a esta luta, e nesta massa surgirão ainda mais lideres; o ciclo é grande e indispensável à construção de um sociedade politizada e ciente da importância de cada individuo no futuro da pátria.

Um amigo diz que “liderar é servir”, não tenho pretensão e nem o poderia de me colocar como líder, mas me coloco a serviço da pátria e daqueles que por ela lutam.

 

O TUCANO VOA PRIMEIRO

É sabido que não tenho muito prazer na critica política para minha escrita, entretanto vendo o momento que o PSDB passa, não posso deixar de fazer clara minha visão. Um acordo de cunho duvidoso, mas habitual fora feito pelo governador com certo parlamentar, nada de mais, entretanto foi bastante espantoso e isso teve grande destaque nos jornais de grande circulação, o fato do deputado federa Ricardo Trípoli ter peitado este acordo ao recolher 220 assinaturas de delegados do PSDB da capital e favor de prévias para a escolha do candidato a prefeito, e já oficializando seu nome enquanto pré-candidato.

bem, esta cena, alem de histórica foi fantástica, um marco na historia do partido, que a partir de tal ato não terá como não realizar as prévias. Todavia, o que mais me deixa feliz é o fato dos possíveis candidatos serem ótimos quadros, e nisso ponho Andrea Matarazzo, Bruno Covas, Ricardo Trípoli, Jose Serra, José Aníbal e até mesmo o senador Aloysio Nunes que já disse não ter interesse.

Tucano, simbolo do PSDB, partido dos maiores democratas do Brasil FHC, Mario Covas e Franco Montoro

Não há duvidas que Serra é o maior nome, mas se ele quiser se candidatar, precisa entender que sim, ele é um ser humano, e não um desenho animado, e terá de disputar as prévias, que para ele serão muito fáceis, embora eu acredite fielmente que para ele o melhor caminha seria o Senado em 2014, sem duvidas seria o melhor senador da historia de São Paulo, com gigantesca influencia não apenas no partido e no Congresso Nacional, mas na direção da pátria. Outro nome de peso que destaco dos demais é Aloysio Nunes, tem se especulado sua candidatura, e ele negado, também acredito que se deseja, não deve ser privilegia, mas no caso de sua candidatura, perderá o estado o seu melhor senador, para o PSDB ganhar um forte candidato.

O s outros quatro quadros, acredito que em estatura não são tão diferentes, o que os difere é a maneira de tocar as coisas, cada um

tem uma aérea e um foco, uma historia. Não posso deixar de ressaltar que, para mim não faz o menor sentido Andrea Matarazzo se candidatar pelo partido que tanto criticou a presidente da Republica exatamente pela mesma nunca ter ocupado cargo eletivo, todavia, ele todo o direito de se pré-candidatar. Sou franco quando digo, que Bruno Covas sem sombra de duvidas será grande, o suficiente para ser o vice de Geraldo Alckmin em 2014 numa chapa puro

-sangue, e ser o grande coordenador do mandato. Mantenho o critério quando se fala de José Aníbal, sem duvidas é o deputado mais contundente do Congresso, e esta fazendo um ótimo trabalho na Energia, mas ele é a cara de Brasília, por melhor que seja seu trabalho em qualquer instancia, o povo de São Paulo e do Brasil perde muito sem ele na tribuna. Pelo acima descrito e por questões pessoais, me junto à Ricardo Trípoli, que fora a historia de sucesso que tem, é um dos fundadores do partido, e traz como proposta conceitos básicos do Imperador  Augusto e de Maquiavel, que em muito podem melhorar o cotidiano das pessoas.

Seja quem for o vencedor, não o será maior que a instituição, o Partido da Social Democracia Brasileira é quem ganha, dá voz à militância, e a mesma, exatamente por isso lutará mais agressivamente que

nunca, seja quem for o candidato. O PSDB pode em 2012, mostrar ao Brasil que ao contrario do que a mídia insiste em dizer, continua firme, se mantém como o partido que traz a bandeira da democracia plena, da pluralidade e da vanguarda.

Sociedade Horizontal

As redes sociais são a grande surpresa da geração que aí está, quando os avessos às novidades diziam que a globalização e a internet ao invés de unir as pessoas criariam uma massa alienada que só pensa em si, surgem as revoluções por democracia nos países árabes, e tantas outras demonstrações de valores humanistas nunca vistos tão intensamente, não me alongo nisto pois já há um belo artigo sobre o tema feito pelo estadista FHC “Silêncios que Falam”.

   O que acho importante ressaltar é a ligação entre a força de um post que somado a muitos gera uma rede de solidariedade, e um voto, que perdido numa montanha de eleitores ainda tem uma importância relevante.

   A exemplo disto tenho a eleição presidencial de 2010,na qual muita gente votou na candidata Marina Silva não por esta ser uma candidata que representa a nova política, mas principalmente por desacreditar na política e achar que estavam desperdiçando o voto, a prova histórica é que Marina saiu das eleições como a grande vitoriosa, uma liderança nacional independente e progressista, que fala a língua do jovem, sem agredir a tradição e sempre se mantendo na agenda.

   Marina 2010, não foi minha opção, mas a reverencio pelo exemplo histórico. Nunca antes na historia deste país as pessoas viram o quão é importante o seu voto, na beleza de seu individualismo. Eu mesmo após votar disse em alto e louco som que o voto é o orgasmo da democracia, e em 2010 acredito que o povo brasileiro passou a gozar de seu voto, a notar que um único voto é sim importante independentemente de pesquisas, tendência ou campanhas.

   As redes sociais se provaram como valorização do humanismo, da valorização a seu poder de mudar o mundo e da preocupação em fazer um mundo melhor e perpetuar objetivos altruístas.

  Mesmo a proximidade com governantes e celebridades que a redes criaram, de certo modo, ver pessoas importantes que estejam fora escândalos ou não estejam na Ilha de Caras e poder interagir com elas tira das mesmas o status de semideus e nos coloca num mesmo patamar, o da raça humana.

   Vejo nas redes sociais uma escola de super-heróis, do cotidiano é bem verdade, mas ainda assim pessoas que surgem com senso de solidariedade  e justiça inigualáveis a outras gerações.

   Em comparação com a dicotomia capitalismo x comunismo, se dizia capitalismo é vertical e comunismo horizontal, pois proponho uma nova concepção: o capitalismo globalizado, aprimorado do século XXI é composto por sociedades horizontais, os mis participativos e com maior pensamento coletivo vencem individual e coletivamente.

  Devemos nos acostumar e nos sentir bem vindos ao mundo plural.

Leio Hoje

A questão da leitura por parte dos jovens é hoje um problema gravíssimo, em especial nos países em desenvolvimento. Associam-se os livros à monotonia quando comparada à TV, pois ao invés de iniciar a trabalhar a literatura com obras de maior interesse  e popularidade no momento, se iniciam os cursos regulares de português nas escolas a trabalhar literatura com estudo de livros clássica, que apesar da inegável qualidade, não falam a língua do jovem, não trata de assuntos que estão na “ordem do dia”, tornam-se desinteressantes . A meu ver, apresentar poesia apenas com Camões  a estudantes que nunca se interessara por poesia é condenar o coitado do aluno a detestar poesia, o ensino deve ser gradua, deve iniciar com Vinicius de Morais nas crianças, aos adolescente se reserve Augusto dos Anjos e Bocage, o que nos trará maior entrosamento entre o jovem e a poesia, a partir daí sim se pode aprofundar, por a questão mais se trata de ensinar a ler em si, de ter prazer no ato da leitura, mas sim na qualidade daquilo que se lê e na capacidade de interpretação de diferentes tipologias, principalmente as mais complexas.

 

Há uma lacuna entre o jovem e o livro, mas é muito fácil fazer o elo entre os dois, uma vez que se leia algo de seu interesse, livremente, algo que para você é leve e prazeroso, o habito da leitura se instaura quase que por natureza,  da leitura do jornal impresso( que eu particularmente acho uma delicia), das revistas(e nisso coloco tudo, pode ser os rodapés de Caras, entrevistas de Playboy, criticas de Veja ou até ciência em Galileu).

 

Todavia, este é um problema simplório que adiantaria 50% dos problemas neste sentido, para que a cultura;  habito da leitura estejam no ceio familiar será necessário injetá-lo na escola, para tal precisamos adaptarmos ao jovem e este em seguida aderir ao conhecimento, o que será inevitável.

 

É imperativo mostrar ao Jovem que literatura é arte, e como tal, é o maior espelho de sua época.

Cara de Formulação Política – ITV

Escolinha do Professor Haddad

 

É comum ver governos de partidos como o PT tentarem reescrever a história, apagando dos livros os registros que lhes desagradam. Acontecia muito na União Soviética. O que é surpreendente é ver governos como o do PT pretenderem agora não apenas reescrever a história, mas mudar as regras da escrita. Na gramática petista pode tudo.

Soube-se neste fim de semana que cerca de meio milhão de jovens e adultos receberam do Ministério da Educação livros que lhes “ensinam” a comunicar-se erroneamente. Tudo em consonância com os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN), baixados pelo MEC para serem seguidos por todas as escolas e livros didáticos do país. Incapaz de melhorar a educação dos nossos estudantes, o PT agora faz pior: os deseducam.

O livro “Por uma Vida Melhor”, da ONG Ação Educativa, tida como “uma das mais respeitadas na área”, segundo a Folha de S.Paulo, defende que frases como “Os livro ilustrado mais interessante estão emprestado” são aceitáveis. Outras frases citadas e consideradas válidas são “nós pega o peixe” e “os menino pega o peixe”. Para os autores do livro, deve ser alterado o conceito de se falar “certo” ou “errado” para o que é “adequado” ou “inadequado”.

Num capítulo em que trata das diferenças entre escrever e falar, o livro explica: “Você pode estar se perguntando: ‘Mas eu posso falar os livro?’. Claro que pode. Mas fique atento porque, dependendo da situação, você corre o risco de ser vítima de preconceito linguístico”. O livro foi distribuído a 4.236 escolas do país.

Vejamos o que dizem os tais PCN sobre este modo original de ensinar: “A escola precisa livrar-se de alguns mitos: o de que existe uma única forma ‘certa’ de falar, a que parece com a escrita; e o de que a escrita é o espelho da fala. (…) Essas duas crenças produziram uma prática de mutilação cultural que, além de desvalorizar a forma de falar do aluno, denota desconhecimento de que a escrita de uma língua não corresponde inteiramente a nenhum de seus dialetos”.

Os exemplares do livro que contém estas atrocidades não serão retirados de circulação, informa O Globo hoje. Para o MEC, o livro “estimula a formação de cidadãos que usem a língua com flexibilidade”. O propósito também é “discutir o mito de que há apenas uma forma de se falar corretamente”, defendeu a pasta.

Se há algum mito de que o MEC precisa se livrar é o da crença de que é possível educar por meio de barbaridades e incutindo preguiça em professores e alunos. A relação dos estudantes com os livros didáticos costuma ser de reverência. Se os sábios autores dizem que usar a língua de modo errado pode, que discernimento terá o aprendiz para pensar diferente, buscando aperfeiçoar-se e seguir a norma culta?

A julgar pelo diz em entrevista publicada hoje na Folha de S.Paulo, o ministro da Educação deve achar que a atuação de seu ministério está fazendo um bem ao país. “Em 2007, lançamos o Plano de Desenvolvimento da Educação, com uma série de metas. E concluímos o mandato do presidente Lula cumprindo o que foi compromissado.”

Haddad deve estar satisfeito não só com o ensino baseado em livros como “Por uma Vida Melhor”, mas também com o pífio desempenho do Brasil no Pisa – programa internacional que avalia estudantes de dezenas de países. Mas ninguém em sã consciência deveria estar, muito menos um ministro de Educação.

Na edição de 2010 do Pisa, em um ranking de 65 países o Brasil foi o 53º colocado em Leitura e Ciências e 57º em Matemática. A pontuação brasileira foi de 401, enquanto a da China, primeira colocada, totalizou 556 pontos. Se o Pisa fosse um campeonato de futebol, o Brasil estaria bem próximo da zona de rebaixamento.

Diante da placidez do professor Haddad, não espanta que o país também vá muito mal na alfabetização de adultos, como a Folha mostra em sua edição de hoje. Entre os brasileiros que tinham idade entre 20 e 49 anos em 2000, a taxa de analfabetismo era de 10%. Segundo o Censo 2010, dez anos depois essa geração terminou a década com percentual de 9,5% de analfabetos. Ou seja, em uma década a queda foi meramente residual, de 0,5 ponto percentual.

Não é apenas entre os mais velhos que o analfabetismo campeia. Na população entre 10 e 29 anos, a taxa de iletrados é de 3,22% e, entre 10 e 14 anos, de 3,91%. “Isso significa que a escola está ensinando a ler muito tarde e muito mal. Não haveria, em princípio, nenhum motivo para não conseguirmos proporções inferiores a 1% nessa faixa, como ocorre em países do primeiro mundo”, escreve Hélio Schwartsman na Folha.

A erradicação do analfabetismo na década passada era meta do Plano Nacional de Educação, promessa de campanha de Lula tocada pelo atual ministro. O fracasso decorreu também de mudanças nas políticas implementadas por Haddad: antes o MEC ia atrás dos analfabetos e pagava às prefeituras por adulto alfabetizado. Agora, o governo espera que os analfabetos procurem os cursos.

Pratica-se na escolinha do professor Haddad o pior tipo de pedagogia: a da preguiça em perseguir melhores resultados, melhor formação, a fim de termos brasileiros melhor capacitados para enfrentar uma realidade cada vez mais complexa. Na cartilha do PT, é mais fácil aceitar o errado do que ensinar o certo.

 

iEste e outros textos analíticos sobre a conjuntura política e econômica estão disponíveis na página do Instituto Teotônio Vilela.

Dilma Mãos de Tesoura – nº190

O ajuste fiscal anunciado pelo governo Dilma escancara a dificuldade dos governos do PT para lidar bem com recursos públicos. De concreto, a tesoura ceifou investimentos e o Minha Casa, Minha Vida. Desmorona-se, assim, o discurso reiterado pela presidente de que o PAC não seria afetado pela sua marreta. Cai também por terra sua pregação, repetida ao longo da campanha eleitoral, de que “em hipótese alguma” faria um ajuste fiscal nas contas públicas.

O ajuste fiscal anunciado nesta semana pelo governo Dilma escancara a dificuldade dos governos do PT para lidar bem com recursos públicos. Quando o necessário é frear os gastos, como é o caso desde o ano passado, pisa-se no acelerador. Onde é preciso investir mais, como em moradias populares, mete-se a tesoura. Falta aritmética nesta conta.

 O governo precisou de 20 dias para definir como faria o ajuste anunciado em 9 de fevereiro passado. Parece que o tempo não foi suficiente. Dos R$ 53 bilhões divulgados na segunda-feira, apenas R$ 13 bilhões representam corte efetivo, estimou o Valor Econômico. Do restante, a maior parte é mais desejo do que realidade, ou mero blefe.

A redução de gastos prevê corte de R$ 36,2 bilhões em despesas não obrigatórias dos ministérios (inclusive gastos sociais) e R$ 12,2 bilhões em despesas obrigatórias (pessoal, benefícios previdenciários, seguro-desemprego e subsídios). O restante R$ 1,6 bilhão corresponde ao que já foi vetado pela Presidência na lei orçamentária.

De concreto, a tesoura de Dilma ceifou investimentos e o Minha Casa, Minha Vida. O programa perdeu R$ 5,1 bilhões, o suficiente para construir 200 mil moradias. Desmorona-se, assim, o discurso reiterado pela presidente de que o PAC não seria afetado pela sua marreta. Cai também por terra sua pregação, repetida ao longo da campanha eleitoral, de que “em hipótese alguma” faria um ajuste fiscal nas contas públicas.

Informa O Globo que o PAC já vem perdendo recursos desde o ano passado. O programa começou a ter suas verbas desidratadas quando foi aprovado o Orçamento da União para este ano. Desde então, R$ 8,5 bilhões já viraram fumaça: R$ 3,4 bilhões foram extirpados na versão final do OGU e R$ 5,1 bilhões do Minha Casa ruíram agora.

Na realidade, até agora o PAC de 2011 praticamente não saiu do papel. Dos R$ 40 bilhões autorizados, foram efetivamente pagos até hoje apenas R$ 591 mil, de acordo com o sistema de acompanhamento de gastos do Senado. A maior parte investida neste ano é de restos a pagar.

Soterrado numa montanha de escombros, o governo afirma que o corte nas verbas do Minha Casa não afetará sua meta de construir 2 milhões de habitações. Se for levado em conta o que o programa alcançou até agora, é melhor desconfiar também desta promessa.

Recorde-se que o compromisso assumido pelo governo Lula, com as bênçãos de Dilma, era construir 1 milhão de casas. Já se passaram quase dois anos desde então e a meta ainda está distante, muito distante. Segundo balanço divulgado em 12 de novembro do ano passado, menos de 200 mil moradias haviam sido efetivamente erguidas até aquela data.

Em suas demonstrações contábeis, anunciadas há duas semanas, a Caixa preferiu informar apenas que superou a meta de contratações do programa, sem detalhar quando de fato conseguiu construir. Não diz, claro, que foram erguidas menos de 6 mil casas para famílias com renda de até três salários mínimos – faixa em que se concentra o grosso do déficit habitacional do país, estimado em 5,8 milhões de unidades. Equivalem a 1,5% da meta.

Na divulgação das medidas do ajuste fiscal, o governo tentou a todo custo omitir que fazia o inverso do que a presidente prometera a seus eleitores. Mas o ministro Guido Mantega acabou deixando escapar que o arrocho se fez necessário por causa da aceleração excessiva da economia – decorrência direta da escalada de gastos públicos para eleger Dilma.

Também admitiu que, agora, voltará a perseguir a meta de superávit cheia, reconhecendo as mandracarias contábeis dos últimos anos. Mantega sustenta que o ajuste não visa a segurar a inflação. Deveria. Afinal, as projeções dos agentes econômicos não param de subir e levarão o Banco Central a aumentar hoje, mais uma vez, a taxa básica de juros.

O arrocho fiscal agora anunciado já nasce capenga e descalibrado. Nas contas de pé quebrado da equipe econômica de Dilma, não estão previstos, por exemplo, de onde virão recursos para bancar o aumento do Bolsa Família anunciado ontem, o iminente reajuste da tabela do imposto de renda, nem como será feito um novo aporte ao BNDES. É melhor se precaver: com tamanha habilidade, as mãos de tesoura vão acabar ceifando cabeças.

 

iEste e outros textos analíticos sobre a conjuntura política e econômica estão disponíveis na página do Instituto Teotônio Vilela.