Sofistas são em suma os argumentadores, não entrarei no mérito dos argumentos serem de fatídicos ou não, pois o fato é que funcionam, são aqueles que tem domínio tal sobre o discurso que fazem dele sua grande arma, e que com este discurso conseguem convencer-nos de que a verdade por eles apresentada é absoluta, dentro de sua retórica que nos é imposta devido a habilidade dos mesmos em implantá-la aos demais.

  Há aqueles que possam dizer que sofistas foram uma exclusividade Grega, quando ainda os vemos envolvidos em sua retórica, agora maquiada e modernizada.

Para que se perseba tal situação basta analisar o sistema democrático atual de nosso país. A “Liberdade” conquistada através da redemocratização nacional nos permite ser envolvidos pelo discurso dos políticos sempre envolvidos em campanhas que movimentam milhões de dólares, conseguidos através de doações legitimas, bem, isto não é problema, é apenas a exposição daqueles que nos querem representar, o sofismo moderno aparece quando se trata da comunicação massiva e de como as informações chegarão à população, pois a concessão de emissoras de raio e TV é feita sempre a pessoas ligadas a certos círculos mais exclusivos que um country club, o que inviabiliza a pluralidade nas visões que se apresentam ao publico, os concessionários não expõem verdades inconvenientes aqueles que os concederam o poder, garantindo aos mesmos uma imagem sempre muito límpida perante a imprensa e consequentemente às pessoas, o que gera o continuísmo das coisas, sejam boas ou ruins sem sequer o conhecimento popular.

 Estes são os sofistas contemporâneos, os Barões da Comunicação, que nada mais são que delegados daqueles aos quais nos delegamos o poder de nos conduzir, ou seja, nos escolhemos alguém que nos represente e este por sua vez escolhe alguém que o represente, nem sempre nos ou eles fazemos boas escolhas.

 Mas como classificar uma boa ou má escolha? Poderia eu discorrer sobre toda a questão da falta de democracia quando se trata na possibilidade de mais pessoas transmitirem sua retórica, o que é um fato, mas um fato que nos levaria a um colapso, não se pode garantir que simplesmente por que existem mais fontes de informações a liberdade de expressão continue sendo algo positivo, pois a QUALIDADE poderia estar debilitada, e o digo no sentido de que haveria uma banalização da informação, muito seria irreal, o que já levou por exemplo à pessoas terem batalhas anunciadas que não existem, como ocorreu recentemente na Geórgia.

 Imagine se sumissem os Barões, para que ficassem os capitães da informação com pequenos domínios, em muitos casos regionais, seria isto a estandarte das oligarquias diminutas e sangrentas do sertão: O chefe da família seria prefeito, seu irmão deputado, o filho dono da única emissora local, a esposa juíza e s outros familiares donos das fontes de renda local, surgiriam feudos. Deixariam de existir 11 Barões em nível nacional de grande impacto com escudeiros espalhados pelo país, para existirem empresas “chulas”, sem duvidas a pluralidade chegaria nas capitais, mas as pessoas não conseguem assistir duas coisas ao mesmo tempo, logo, escolheriam aquilo que mais as agradasse e provavelmente não conheceriam o resto, isto sem retomar a questão interiorana, haveria uma democracia nacional no executivo, mas metade do legislativo seriam composto por “biônicos” indicados por ditadores regionais, e que por isto seriam imaculados.

  Veja que bela LIBERDADE, a liberdade que cada “Senhor de Cidade” teria dentro de seu território, para fazer e desfazer o que bem quiser, afinal, quem o cobraria algo, se ninguém ficasse sabendo, e se ficassem seriam silenciados através de artifícios jurídicos duvidosos.

 Pois bem, de fato a Liberdade de Imprensa hoje vai apenas até onde se choca com interesse de alguns, mas é esta mesma liberdade que nos garante a democracia, foi ela que garantiu proteção contra o comunismo no CONTRA-GOLPE DE 64 e que nos trouxe à democracia atual, com o único e nobre propósito de fazer honrar o lema nacional “Ordem e Progresso”, este certo monopólio do poder de comunicar, por mais cruel que pareça, é que mantém a ordem cívica do pais, em outros locais este é o papel da religião, aqui é da imprensa, e através desta ordem conquistada pela ocultação do que se julgue inapropriado gera o progresso, mesmo que seja ele retrogrado e conservador.

 Me digam que estou errado, mas  estas três palavras definem muito bem nossa nação: Moderno, Retrogrado e Conservador, um exemplo real disto é a COSAN, maior empresa de produção de etanol do mundo, Brasileira, de gestão moderna e progressista, que visa sempre a melhoria do pais, mas que não deixa de conservar os velhos hábitos da figura do dono da empresa, aquele que não é simplesmente o acionista majoritário, mas sim o seu coronel, que faz acordos às escuras com o governo, e este através daqueles aos quais delegaram a fala, deixam de tomar conhecimento do retrogrado habito desta empresa de utilizar ESCRAVOS, que se quer tem conhecimento de que vivem em regime de escravidão, pois nunca lhes fora garantida educação, para que pudessem aceitar a programação imposta deste circulo vicioso.

 Afinal, para que ensinar ao povo mais do que suficiente para que tenha um titulo eleitoral? Isto somente dificultaria os sofistas contemporâneos e seus associados, pois neste caso a retórica dos mesmos deveria ser mais rica, haja visto que o discernimento do povo seria maior, e igualmente a dificuldade em executar liberdade que mantêm a ordem.

 Infelizmente, este é o fundo do ideal social, educacional e comunicativo de hoje.

Isto cria as oligarquias que surgiriam com o fim do monopólio das comunicações, mas em âmbito cada vez maior, o que estagnaria a população e assim o sistema político, e o pais. 

 Entretanto, há sim um salvação, imagine os 11 Barões das Comunicações com o mesmo espírito de nacionalismo de Assis Chateaubriand, manterem-se absolutos, mas colaborando para a constante renovação do pais, contatando suas ligações governamentais antes de expô-las a população, e entregando de fato poder publico quando pertinente, mantendo o povo bem informado, juntamente com uma estrutura governamental educacional que enriqueça a compreensão social das pessoas, mesmo as pessoas mais instruídas são suscetíveis ao marketing e ao domínio de uma retórica melhor, de tal maneira que com o povo mais instruído surgiria automaticamente uma evolução nacional em todos s sentidos, mas a corte dos Barões da Comunicação, dos Coronéis da Industria e dos  Reis da Política, apenas se refinaria, se elevaria mas manter-se-ia controlador, e seguindo os grandes Senhores Sofistas (políticos) que continuariam a transmitir-se através de antigos amigos, continuando assim a Ordem, mas com um progresso retrogrado e positivo, pois manteria nossa democracia inabalável e solida, sempre se modernizando, nunca revolucionando – até por que isto é algo ilusório, nunca ouve aqui de fato algo que passasse de uma reforma, divulgada com retórica sensacionalista e enganadora, dita por vozes que gritam nas ruas uma verdade que apesar de lhe parecer correta, é apenas agradável – mas sempre se reciclando de maneira pragmática e tradicional, modernizando-se infinitamente.

  Hoje mais do que nunca, o sofismo é a relatividade da realidade, tornou-se mais complexo compreender questões, apesar da facilidade que se tem, pois as informações são filtradas, censuradas e não temos noção que isto apenas ocorre por que delegamos poder a sofistas, que nos venderam uma idéia, que delegara o Poder Maximo a alguém que usará da retórica para comprovar tudo o que fora anteriormente dito, segundo o que lhes é conveniente ver como a verdade, para esta situação existe uma frase que resume tudo: “Eu Sempre Digo a Verdade, Mesmo Quando Eu Minto.” ( Scarface, 1983).

 Por mais ínfima que pareça, este treco do filme de Brian De Palma, esclarece o mesmo que “O homem é a medida de todas as coisas” de Protágoras.

 Relaciona-se isto com a liberdade de expressão, a partir do momento em que se vê alguma censura que parte de concessionários de radio e TV em defesa ou ataque de alguma autoridade, as pessoas ficam revoltadas quando percebem a manipulação da informação mas não se dão conta de que a verdade que nestes momentos lhes parece mentira, é a verdade que eles apoiaram com a força de seu votos, que acreditaram seguir a verdade que seria dita, mesmo quando outro comunicador a julgasse mentira, pois cada um é a medida do certo e do errado, do verdadeiro e do falso, e uma vez que se expressam apoiando determinado discurso não vêem que aquela é a verdade que eles próprios alavancaram.

Salud!

 

Para melhor pensamento:

http://www.youtube.com/marcossaraiva45br#p/a

Anúncios