O Palhaço

É bastante curioso este filme, primeiro pela mistura de duas geracoes em atores que de fato marcaram o cinema nacional ( Selton mELO E paulo José) o primeiro como diretor, e especialmente curioso como essa mistura criou uma obra bela e simples, como os grande titulos brasileiros. O drama vivido por Benjamin dos problemas cotidianos, das responsabilidades que lhe sugam a alegria o faz deixar o circo de seu pai e procurar emprego e vida só. Mais interessante é que durante este periodo de `ìsolamento` ele descobre a si mesmo, se brinda com o ventilador que tanto queria e percebe, que só é feliz sendo aquilo que voce é, percebendo e convivendo com a felicidade de ser voce mesmo e se sentir completo com isto atrasvez do simples tema : O gato bebe leite, o rato come queijo e eu……..

Mais uma prova que o cinema brasileiro é assim, barato, sem explosões ou exagero comerciais do tipo, mas de absurda qualidade sentimental e mesmo técnica de filmagem, atuação, trilha sonora, fotografia e que traz consigo uma fortíssima mensagem, que, convenhamos, tem vendido bem, afinal o filme foi viso por mais de 1.000.000 de pessoas!

Carpe Diem

Nunca se mente tanto como em véspera de eleições, durante a guerra e depois da caça.

Otto Bismarck

Travessia Heroina

Esta semana, fui convidado para a premier do documentário sobre Tancredo Neves, evento badalado, estavam á Serra, Alckmin, Aécio, Ronaldo Fenômeno, Barros Munhoz , Roberto Civita e varias autoridades e empresários…

Sem dúvidas “Tancredo – A Travessia” faz ode ao presidente, a seu poder conciliatório, e principalmente faz o que o Brasil precisa, cria os políticos de bem, nos estadistas que de fato temos a figura do herói do povo.

É claro que tais heróis são humanos e por tanto tem seus pecados como todos.

Tancredo por exemplo, é o exemplo da mineirice, raramente é visto à frente, sempre no backstage, talvez seja o maior articulador de terras tupiniquins e isto fez da transição da ditadura brasileira um exemplo mundial que reflete o jeitinho que o brasileiro dá. Não se pode dizer que ele liderou esta transição, este titulo balança entre Ulysses Guimarães, Franco Montoro ou mesmo Teotônio Vilela, mas é fato que não fosse a articulação de Tancredo Neves nada aconteceria.

  Sou favorável a termos heróis brasileiros, mas não se pode negar que Tancredo fez sim aliança com Deus e Diabo, vendeu-se ( apesar dos nobres princípios) a torto e a direito. Refletindo a historia, não duvido que ele próprio, ciente que o candidato nas diretas seria outro, tenha articulado a não aprovação das mesmas fazendo dele, enquanto senhor dos salões do parlamento fosse o presidente do Brasil.

  Ademais, devo observar que o filme apesar da alta qualidade, já se declara eleitoral quando coloca depoimentos de José Serra que naquele momento era apenas assessor de Montoro e não teve grande participação. Acredito que o fizeram para evitar falatórios, não ficou bem.

O filme fala de um mineiro extremamente amineirado, do bom trato, da conversa boa e da simplicidade, e a produção também é assim: Gal Leônidas e o presidente Sarney deixam de ser as figuras repudiosas que são cotidianamente atacados como inimigos do povo, e se tornam personagens históricos inofensivos e respeitáveis! Neste mérito não entro, de fato tem muito a ensinar, bem ou mal, eles tem muita historia, mas daí a deixá-los agradáveis e bonzinhos, torna patético…

Quero mais é eu continuem fazendo documentários de heróis brasileiros num jeito mineiro que deixa tudo que é daqui belo, nacionalista que ou, quero filme sobre Teotônio, FHC e Assis Chateaubriand…

Só não podia deixar de falar, que o Júlio Semeghini que se sentou a meu lado, pareceu também não estar gostando das gargalhadas da Fafá de Belém, que em dado momento inventou de rir e comer pipoca ao mesmo tempo…. 

 

Democracia na America Latina – Palestra de FHC

Ótima palestra de FHC sobre democracia na América Latina para Vanderbilt Peabody campus Oct. 8, 2007

Carpe Diem

(…) qualquer operação militar tem na dissimulação sua qualidade básica…

A Arte da Guerra

Capoeira

 

Responsabilidade – Artigo de Aécio Neves

Duas matérias em discussão no Legislativo e no Executivo carregam importância capital para o futuro do país, por representarem rara oportunidade de fazer justiça federativa e trazerem para o centro do debate nacional a reflexão sobre como lidamos com os nossos recursos ambientais não renováveis. Refiro-me à discussão sobre os royalties dos minérios e do petróleo.

Por suas características únicas, mas também semelhantes, não podemos nos permitir ficar reféns do debate exclusivo sobre quem ganha o quê. Tão importante quanto ele é definir com responsabilidade o destino dos recursos que podem advir dessas decisões.

No momento de anemia financeira de Estados e municípios – alguns à beira da insolvência-, é fundamental prevalecer uma visão mais ampla e generosa sobre o imprescindível fortalecimento dos entes federados, dando assim correta dimensão ao nosso compromisso com o país. Afinal, não somos apenas mineiros, paulistas, cariocas ou baianos. Somos brasileiros, um país organizado de forma federativa e não um aglomerado de Estados com interesses necessariamente conflitantes.

É preciso que a União assuma a posição natural de coordenação do debate dessas matérias sem reduzir-se à posição de parte interessada, como se fosse um dos contendores, como vem acontecendo.

A necessidade da revisão dos royalties dos minérios é antiga e é compromisso assumido pela presidente Dilma Rousseff, que, no entanto, ainda não se confirmou.

Por outro lado, esse tema traz também consigo um forte componente ético, que não pode ser ignorado.

Estamos lidando com um patrimônio que não pertence só a algumas gerações de brasileiros. Trata-se de questão intergeracional.

Como usar os recursos advindos da exploração de um bem não renovável em favor do presente e do futuro?

Países como a Noruega encontraram respostas adequadas à sua realidade. Lá, institucionalizou-se um fundo provido pela exploração do petróleo que busca garantir o pagamento de aposentadorias futuras e proteger a economia do país para o tempo em que a exploração econômica se findar.

A realidade brasileira é bem mais complexa, mas precisamos enfrentar algumas questões: no caso do petróleo, vamos garantir parte dos recursos para investimento em energia renovável, gesto de responsabilidade com o presente e de solidariedade com o futuro?

Como evitar que os recursos da exploração mineral sejam usados em obras de baixa qualidade, onde terminam transformando-se em desperdício e ilustrando de forma melancólica a equação na qual desaparecem as nossas montanhas e os benefícios que poderiam ser gerados para a população?

Não estamos apenas discutindo royalties, mas o futuro.

Artigo publicado na Folha de S. Paulo em 3/10/2011

Fonte: Instituto Teotônio Vilela